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Amigos, Professores e Camaradas

Sejam todos muito bem vindos ao meu blog. Aqui vocês irão encontrar textos e informativos, principalmente, sobre o movimento estudantil e também sobre política. Sou uma jovem militante da União da Juventude Socialista, falo o que penso e defendo aquilo que acredito, não deixo porém de aceitar e debater idéias contrárias ás minhas, portanto, estejam a vontade para comentar as minhas postagens!
Um grande abraço a todos e todas. Espero que gostem!
Anna Carolina Rabelo

sábado, 6 de março de 2010

Uma Universidade Sem fronteiras - Por Renan Alencar

13 de janeiro de 2010
Uma Universidade Sem fronteiras - Por Renan Alencar

Hoje foi sancionado pelo Presidente Lula a lei que cria a Universidade Federal da Integração Latino Americana – UNILA. Acontecimento que representa uma conquista histórica para os movimentos sociais da América Latina. A UNILA terá sede na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. O que por si só demonstra o grande potencial e vocação da instituição. Às margens e com parte da infraestrutura doada pela gigante binacional Itaipu, a universidade já nasce imponente tendo o projeto de suas instalações doado pelo maior arquiteto latino americano (há quem diga do mundo) Oscar Niemayer.

A UNILA é uma evolução dos padrões de integração educacional, que conhecemos em nossos tempos. Em primeiro lugar é mantida por recursos públicos, de um Estado autônomo e soberano. Ao contrário de outras instituições transnacionais privadas, a UNILA deve, por seu caráter público, ser estreitamente ligada às necessidades de formar recursos humanos aptos a atuar sob as potencialidades da região instalada, no caso a América Latina. Será uma instituição gratuita, co-governada e com assistência estudantil, atendendo ao ABC (Abrigo, Beca e Comedouro, no espanhol) da Reforma Universitária de Córdoba em 1918. A UNILA revolucionará os padrões de ensino. Será uma universidade bilíngüe, suas vagas poderão ser ocupadas por qualquer indivíduo do continente, tanto para discentes quanto para a docência.

Suas carreiras estarão voltadas para a formação de pensadores comprometidos com a integração latino americana, com o desenvolvimento regional, educacional, cultural e científico. Além de desenvolver pesquisas em diversas áreas do conhecimento e de promover a extensão universitária. A UNILA caracterizará sua atuação nas regiões de fronteira e será vocacionada para o intercâmbio acadêmico e a cooperação solidária com países da América Latina.

Os cursos ministrados na UNILA serão, em áreas de interesse mútuo dos países da América Latina, com ênfase em temas envolvendo o aproveitamento de todos os recursos regionais, relações internacionais e demais áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento e a integração regional. Os cursos prometem ter uma abordagem inter e transdisciplinar e formar profissionais muito mais amplos. Neste perfil, estes são alguns dos cursos iniciais: Economia, Desenvolvimento Humano e Integração Regional; Sociedade, Estado e Política Comparada na América Latina; Relações Internacionais e Direito Comunitário; História da América Latina; Saúde Pública Coletiva; Engenharia Ambiental; Licenciatura em Artes e Cultura Latino Americana; Literatura e Identidade Compara na América Latina. Entre outros cursos de licenciatura, pós-graduação e centros de investigação previstos. Tem como meta atingir dez mil estudantes matriculados e quinhentos professores.

Neste sentido os ganhos que teremos com a instituição de tão grandes, são hoje imensuráveis. A criação e o fortalecimento das bases culturais, científicas e tecnológicas de sustentação do desenvolvimento, ampliando a participação da nossa região no mercado internacional, e a promoção dos valores e interesses soberanos, intensificando o compromisso com uma cultura de paz e solidariedade. A importância estratégica da educação superior contrasta com o quadro brasileiro que enfrenta o maior desafio em termos latino-americanos: o nível de acesso é um dos mais baixos do continente (11% da faixa etária 18-24 anos) e a proporção de estudantes nas instituições públicas reduziu-se, representando menos de 1/4 do total. A UNILA representa uma oportunidade histórica para repensar as bases da universidade em nosso continente, e o compromisso com a geração e distribuição de riquezas, com a promoção da inclusão social.

A UNILA é uma conquista histórica dos mais avançados movimentos sociais e populares da América Latina. Vale relembrar os caminhos percorridos até o pódio deste triunfo. O anúncio aconteceu durante a realização da IV Bienal de Cultura e Arte da UNE e XIV Congresso Latino Americano e Caribenho de Estudantes – CLAE, em fevereiro de 2005 em São Paulo, sob o tema “Soy loco por ti América”. Foi quando o então ministro da educação Tarso Genro, em uma das conferências do evento com os seus homônimos de todo o continente, anunciou a criação de uma universidade pública latino-americana em Foz do Iguaçu: seria a nossa UNILA. Estão em fase de criação outras três universidades nos padrões da UNILA. Uma na região Panamazônica, uma luso-afro-brasileira e outra na fronteira Sul do país.

Vale a pena também registrar que a UNILA é fruto de um acumulo de ações educacionais no nosso continente e no mundo. Primeiro fazendo frente ao modelo privado de oferta em educação trans-fronteiriça. Exemplo positivo que inspirou a UNILA é a Escola Latino Americana de Medicina – ELAM, fundada em 1999 com sede em Cuba. Já graduou mais de cinco mil estudantes de medicina, de 24 países. Hoje estão matriculados mais de oito mil estudantes na instituição. Foi inaugurada em solidariedade aos povos atingidos pelas furações George e Mitch, em 1998. Visa formar um exército de batas brancas aptos a trabalhar nos rincões de nosso continente onde não existem médicos.

Outro importante exemplo é o da Associação de Universidades Grupo Montevidéu, que trabalha o programa de mobilidade acadêmica Escala Estudantil. São cerca de quinhentos estudantes por semestre, que saem de suas universidades de origem e cursam um semestre em outra universidade membro do programa. Do Brasil, participam oito universidades, todas públicas, autônomas e co-governadas.

Durante a formulação do projeto, foram consultados ainda diversos especialistas no tema de integração educacional em nossa região e no mundo. Houve uma comissão de implantação da universidade - presidida pelo Prof. Hélgio Trindade, ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, da qual a UNE fez parte.

Parabéns a todos aqueles que ajudaram a concretizar esta utopia!

Viva a integração latinoamericana!

Leia também: UNILA: o nosso Norte é o Sul!

Renan Alencar é diretor de Relações Internacionais da UNE e secretário executivo Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE)

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