Uma Universidade Sem fronteiras - Por Renan Alencar
Hoje foi sancionado pelo Presidente Lula a lei que cria a Universidade Federal da Integração Latino Americana – UNILA. Acontecimento que representa uma conquista histórica para os movimentos sociais da América Latina. A UNILA terá sede na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. O que por si só demonstra o grande potencial e vocação da instituição. Às margens e com parte da infraestrutura doada pela gigante binacional Itaipu, a universidade já nasce imponente tendo o projeto de suas instalações doado pelo maior arquiteto latino americano (há quem diga do mundo) Oscar Niemayer.
A UNILA é uma evolução dos padrões de integração educacional, que conhecemos em nossos tempos. Em primeiro lugar é mantida por recursos públicos, de um Estado autônomo e soberano. Ao contrário de outras instituições transnacionais privadas, a UNILA deve, por seu caráter público, ser estreitamente ligada às necessidades de formar recursos humanos aptos a atuar sob as potencialidades da região instalada, no caso a América Latina. Será uma instituição gratuita, co-governada e com assistência estudantil, atendendo ao ABC (Abrigo, Beca e Comedouro, no espanhol) da Reforma Universitária de Córdoba em
Suas carreiras estarão voltadas para a formação de pensadores comprometidos com a integração latino americana, com o desenvolvimento regional, educacional, cultural e científico. Além de desenvolver pesquisas em diversas áreas do conhecimento e de promover a extensão universitária. A UNILA caracterizará sua atuação nas regiões de fronteira e será vocacionada para o intercâmbio acadêmico e a cooperação solidária com países da América Latina.

Neste sentido os ganhos que teremos com a instituição de tão grandes, são hoje imensuráveis. A criação e o fortalecimento das bases culturais, científicas e tecnológicas de sustentação do desenvolvimento, ampliando a participação da nossa região no mercado internacional, e a promoção dos valores e interesses soberanos, intensificando o compromisso com uma cultura de paz e solidariedade. A importância estratégica da educação superior contrasta com o quadro brasileiro que enfrenta o maior desafio em termos latino-americanos: o nível de acesso é um dos mais baixos do continente (11% da faixa etária 18-24 anos) e a proporção de estudantes nas instituições públicas reduziu-se, representando menos de 1/4 do total. A UNILA representa uma oportunidade histórica para repensar as bases da universidade em nosso continente, e o compromisso com a geração e distribuição de riquezas, com a promoção da inclusão social.
A UNILA é uma conquista histórica dos mais avançados movimentos sociais e populares da América Latina. Vale relembrar os caminhos percorridos até o pódio deste triunfo. O anúncio aconteceu durante a realização da IV Bienal de Cultura e Arte da UNE e XIV Congresso Latino Americano e Caribenho de Estudantes – CLAE, em fevereiro de 2005
Vale a pena também registrar que a UNILA é fruto de um acumulo de ações educacionais no nosso continente e no mundo. Primeiro fazendo frente ao modelo privado de oferta em educação trans-fronteiriça. Exemplo positivo que inspirou a UNILA é a Escola Latino Americana de Medicina – ELAM, fundada em 1999 com sede
Outro importante exemplo é o da Associação de Universidades Grupo Montevidéu, que trabalha o programa de mobilidade acadêmica Escala Estudantil. São cerca de quinhentos estudantes por semestre, que saem de suas universidades de origem e cursam um semestre em outra universidade membro do programa. Do Brasil, participam oito universidades, todas públicas, autônomas e co-governadas.
Durante a formulação do projeto, foram consultados ainda diversos especialistas no tema de integração educacional em nossa região e no mundo. Houve uma comissão de implantação da universidade - presidida pelo Prof. Hélgio Trindade, ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, da qual a UNE fez parte.
Parabéns a todos aqueles que ajudaram a concretizar esta utopia!
Viva a integração latinoamericana!

Renan Alencar é diretor de Relações Internacionais da UNE e secretário executivo Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE)

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