Evidentemente, será uma grande vitória popular o dia em que o latifundiário José Sarney for julgado pelos crimes que cometeu contra o povo brasileiro. A verdade é que Sarney era um político de direita desde antes do golpe militar de 1964, quando era deputado pela UDN. Com o golpe, logo se torna amigo dos militares, filiando-se a ARENA e sendo nomeado governador do Maranhão de
Portanto, nenhuma das atuais atitudes do presidente do Senado é novidade, nem para a rede Globo, até então sua aliada, nem para o hoje presidente Lula da Silva. À época que Sarney era presidente e vacilava na implantação de medidas populares como o congelamento dos preços dos gêneros de primeira necessidade e o fim do pagamento da dívida externa, Lula declarou: “A impressão que eu tenho é a de que ele [José Sarney] é um dos maiores latifundiários do Maranhão. Como presidente, ele tem o direito de negar, mas o fato é que a História desse país é rica em grilagem”.
A natural indignação com os descalabros feitos com o dinheiro público somados a papagaiada da mídia, geram uma comoção e diferentes setores da sociedade, com diferentes intenções, se dirigem à UNE solicitando da entidade que encampe o chamado “Fora Sarney”. Para além do discurso do “não vamos fazer o jogo da direita”, penso que a atual situação impõe duas reflexões:
Primeiro, a de que a UNE, como entidade mais forte de representação dos estudantes, foi e segue sendo um importante instrumento de luta, apoio de primeira hora para os trabalhadores e para o povo brasileiro. É por sua história de 70 anos de luta, que a UNE segue representando nos dias atuais uma reserva moral da mais alta importância. É por esse motivo que os mais diversos setores se dirigem à UNE esperando tal ou qual atitude.
Segundo, é necessário que a entidade apresente para os estudantes e para a sociedade brasileira, de forma cada vez mais clara, o que a UNE entende por democracia, qual o caminho para fazer do estado brasileiro um estado verdadeiramente democrático. A conquista de uma reforma política que implante o voto em lista partidária e o financiamento público de campanha é um importante passo na direção da conquista de um estado democrático, mas é preciso mais.
Por uma democracia popular
Com a desmoralização do Senado, determinados setores defendem o fim dessa casa e a adoção de um sistema unicameral, esquecendo que na Câmara dos Deputados os mesmos vícios e pressões econômicas estão presentes. Segundo dados do TSE as grandes empresas privadas figuram na lista dos principais doadores de campanha dos deputados eleitos. Só a Vale do Rio Doce financiou 46 deputados, o grupo Gerdau 27, e a Aracruz 16. É voz corrente que eleger um Deputado Federal não custa menos R$ 3 milhões, e apenas os grandes partidos detêm quase a totalidade do tempo de TV. Diante desse quadro, quais são as chances de sucesso de uma candidatura efetivamente popular?
Pior é a situação dos grandes meios de comunicação – redes de televisão, rádios e grandes jornais – que são propriedade de um pequeno grupo de capitalistas. De posse dos meios de comunicação, esses grupos manipulam a realidade, seja priorizando temas ou assuntos com o único objetivo de alienar a população, seja ocultando determinados fatos ou assuntos dos jornais e dos noticiários.
Uma verdadeira limpeza na vida política nacional só será possível com uma verdadeira democratização dos meios de comunicação e da posse dos meios de produção, dessa maneira teremos uma democracia sem a interferência dos magnatas dos sistema financeiro. É por conta dessa atual interferência dos grupos financeiros que ainda estamos longe de ter um estado democrático e, também, é por causa disso que a democracia pela qual lutamos precisa ser qualificada, uma democracia do povo e para o povo, uma democracia popular.

Sandino Patriota é primeiro vice-presidente da UNE gestão 2009-11.

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